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O Primeiro Dia Internacional da Mulher

  • 8 de mar. de 2025
  • 3 min de leitura

Atualizado: 6 de mar.

Em 19 de março de 1911, um rumor de passos atravessou as ruas de cidades como Viena, Copenhague, Berlim e Zurique. Eram vozes que, por séculos, haviam permanecido nos espaços privados do lar e do trabalho, mas que naquele dia se uniram em um coro público. Mais de um milhão de mulheres e homens marcharam juntos, erguendo cartazes que não pediam, mas afirmavam a necessidade de direitos fundamentais. As ruas, antes cenários de uma ordem social imutável, tornaram-se o palco onde a história era visivelmente reescrita. Aquele primeiro Dia Internacional da Mulher não foi uma celebração, mas um gesto inaugural, um ato de coragem que rompeu o silêncio.


Pintura em aquarela de uma marcha de mulheres em ruas europeias no primeiro Dia Internacional da Mulher em 1911
Arte: SK

A Semente em Copenhague


A força que tomou as ruas em 1911 nasceu de uma ideia semeada no ano anterior. Em 1910, durante a Segunda Conferência Internacional das Mulheres Socialistas, em Copenhague, a jornalista e ativista alemã Clara Zetkin, ao lado de sua companheira Luise Zietz, propôs a criação de uma jornada anual de manifestação. A proposta foi recebida com aprovação unânime por mais de cem mulheres de dezessete países, entre elas as três primeiras mulheres eleitas para o parlamento finlandês. O objetivo não era criar um feriado, mas unificar as diversas lutas por direitos civis e trabalhistas que já se espalhavam pela Europa e América do Norte. Reivindicava-se o direito ao voto, a ocupação de cargos públicos, o acesso ao trabalho digno e o fim da discriminação.


Os Ecos da Luta no Dia Internacional da Mulher


A data de 19 de março foi escolhida para a primeira celebração em homenagem à Comuna de Paris, mas não permaneceu fixa. Apenas em 1921 a data do 8 de março seria consolidada, em memória à greve das operárias russas. Em 1917, no dia 23 de fevereiro do calendário juliano (equivalente a 8 de março no gregoriano), em meio ao frio de Petrogrado e com mais de dois milhões de soldados russos mortos na Primeira Guerra Mundial, as mulheres marcharam em uma greve por "pão e paz". O ato, que começou como uma manifestação contra a fome e a guerra, tornou-se a centelha da Revolução Russa. Quatro dias depois, o Czar Nicolau II foi forçado a abdicar, e o governo provisório concedeu às mulheres o direito ao voto. Décadas mais tarde, em 1975, a Organização das Nações Unidas (ONU) começou a celebrar a data, oficializando-a em 1977 e reconhecendo a longa jornada de uma luta que atravessou fronteiras, guerras e sistemas políticos.


O Legado que Continua em Marcha


Passado mais de um século, o gesto daquelas mulheres que se reuniram nas praças europeias permanece como a linha de força que conecta as reivindicações do passado às do presente. A memória de 1911 não é um retrato estático, mas um convite para observar o que ainda persiste de desigualdade e o que já se transformou. Cada novo avanço, cada direito conquistado, ecoa a coragem daquelas que, em um tempo de silêncio imposto, ousaram caminhar juntas, deixando claro que a história também é escrita pela força da voz coletiva.


Quando a última manifestante de 1911 retornou para casa, o silêncio que encontrou já não era o mesmo da véspera?

Curiosidade


Apenas seis dias após a massiva manifestação do primeiro Dia Internacional da Mulher, um trágico incêndio na fábrica da Triangle Shirtwaist, em Nova York, em 25 de março de 1911, vitimou mais de 140 trabalhadoras, a maioria jovens imigrantes italianas e judias. As condições de trabalho precárias que levaram à tragédia, como portas trancadas que impediram a fuga, tornaram-se um grito de alerta e impulsionaram a luta por legislação trabalhista, sendo um tema recorrente nas manifestações dos anos seguintes.


Referências


  • United Nations. "Background - International Women's Day."

  • Encyclopædia Britannica. "International Women's Day."

  • United Nations WomenWatch. "International Women's Day."

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