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Quem Foram os Cavaleiros Templários? A História da Ordem dos Cavaleiros do Templo de Salomão

  • há 12 horas
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Entre as brumas da Idade Média, poucas instituições despertam tanto fascínio quanto a Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão. Conhecidos simplesmente como Templários, eles foram uma força que moldou quase duzentos anos de história, transitando entre a devoção monástica e a fúria dos campos de batalha. Sua trajetória, marcada por poder, riqueza e um fim trágico, deixou um legado que ainda hoje alimenta mitos e inspira questionamentos sobre os segredos que guardavam.


Ilustração de cavaleiros templários em uma cerimônia medieval, com seus mantos brancos e a cruz vermelha, representando a história da ordem.
Arte: SK

Quem foram os cavaleiros templários e o que eles fizeram?


A ordem nasceu de um propósito humilde. Após a Primeira Cruzada, a cidade de Jerusalém foi reconquistada por forças cristãs, mas as estradas que levavam à Terra Santa permaneciam perigosas. Em resposta a isso, por volta de 1119, um nobre cavaleiro francês chamado Hugo de Payns, junto a um pequeno grupo de companheiros, fez um voto para dedicar a vida à proteção dos peregrinos. O rei de Jerusalém, Balduíno II, concedeu-lhes uma sede na ala de seu palácio, construído sobre as ruínas do antigo Templo de Salomão, e foi deste local que o nome “Templários” surgiu.


O reconhecimento oficial veio no Concílio de Troyes, em 13 de janeiro de 1129, quando a Igreja, com o apoio de figuras como o abade Bernardo de Claraval, deu à ordem sua regra e seu selo. Os cavaleiros templários tornaram-se uma força singular: monges que empunhavam espadas, submetidos a votos de pobreza, castidade e obediência, mas cujo dever primário era lutar. Sua disciplina e organização transformaram-nos na mais temida unidade de elite das Cruzadas.


O que os Templários defendiam e qual era seu objetivo?


O objetivo inicial de proteger peregrinos logo se expandiu para uma defesa militar mais ampla dos estados cruzados. Os Templários defendiam a fé cristã e seus lugares sagrados, atuando como a primeira linha de combate em inúmeras batalhas. Seus símbolos dos cavaleiros templários refletiam essa dualidade: o manto branco, usado apenas pelos cavaleiros, simbolizava a pureza de sua vida monástica, enquanto a cruz vermelha, adicionada posteriormente, representava o martírio que estavam dispostos a enfrentar.


Além da proeza militar, a ordem desenvolveu um sofisticado sistema financeiro. Com propriedades espalhadas por toda a Europa e o Oriente, eles criaram um método que pode ser considerado o precursor do sistema bancário moderno. Um peregrino podia depositar dinheiro em uma preceptoria templária em Paris e receber uma carta de crédito, que poderia ser sacada em Jerusalém. Essa rede não apenas financiou as operações da ordem, mas também a tornou imensamente rica e influente, administrando as finanças de reis e nobres.


Como foi o fim da Ordem dos Templários?


A queda dos Templários foi tão dramática quanto sua ascensão. Com a perda de Acre em 1291, o último bastião cristão na Terra Santa, a principal razão de ser das ordens militares foi questionada. A imensa riqueza e o poder dos Templários, que respondiam apenas ao Papa, geraram desconfiança e cobiça entre os monarcas europeus, especialmente Filipe IV, o Belo, da França, que estava profundamente endividado com a ordem.


Em uma operação coordenada na sexta-feira, 13 de outubro de 1307, Filipe IV ordenou a prisão de todos os Templários em território francês. Sob tortura, foram extraídas confissões de heresia, blasfêmia e práticas imorais, acusações hoje consideradas sem fundamento. Pressionado pelo rei, o Papa Clemente V, em 1312, dissolveu a ordem. O fim chegou em 18 de março de 1314, quando o último grão-mestre, Jacques de Molay, foi queimado na fogueira em Paris. Diz a lenda que, de suas cinzas, nasceu a maldição dos templários: Molay teria intimado o Papa Clemente e o Rei Filipe a encontrá-lo perante o tribunal de Deus. Coincidência ou não, ambos morreram em menos de um ano.


O que aconteceu com os Templários no Brasil e sua relação com a Maçonaria?


A dissolução da ordem não foi uniforme em toda a Europa. Em Portugal, o Rei D. Dinis, em vez de persegui-los, negociou com a Santa Sé a criação de uma nova ordem, a Ordem de Cristo, que em 1319 herdou os bens e os membros dos Templários em território português. Foi a cruz da Ordem de Cristo que adornou as velas das caravelas durante as Grandes Navegações, financiando expedições que levaram à expansão do império português. Assim, pode-se dizer que o que aconteceu com os templários no Brasil foi uma continuação de seu legado sob um novo nome, já que Pedro Álvares Cabral e outros navegadores eram cavaleiros dessa ordem.


Já a conexão entre os templários e a maçonaria é mais tênue e envolta em mistério. A Maçonaria moderna, como a conhecemos, surgiu apenas no século XVIII, séculos após o fim dos Templários. No entanto, alguns ritos maçônicos adotaram a simbologia e as lendas templárias, reivindicando uma linhagem espiritual que remontaria aos cavaleiros fugitivos que teriam se refugiado na Escócia. Embora essa ligação direta careça de provas históricas concretas, ela demonstra a força duradoura do mito templário.


Referências


• Encyclopedia Britannica – “Knights Templar”

History.com – Knights Templar overview

• National Geographic – “Templar History”

• Barber, Malcolm – The New Knighthood: A History of the Order of the Temple


Os Templários foram, em essência, um reflexo de sua época: uma fusão de fé, guerra e poder que deixou marcas indeléveis na história. Sua saga nos lembra que, por trás das lendas, existem complexas realidades humanas. Que outros segredos a poeira do tempo ainda esconde sobre esses cavaleiros?

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